No
Projeto Praça Onze são realizadas pesquisas
na área de doenças infecciosas em geral, especialmente
as sexualmente transmissíveis, em particular HIV/AIDS.
O Projeto Praça Onze, localizado no Hospital Escola
São Francisco de Assis (HESFA),
iniciou suas atividades em 1995. Desde então, está
envolvido na condução de estudos para o desenvolvimento
de novas drogas para o tratamento de doenças como AIDS
e tuberculose e em pesquisas de vacinas preventivas contra
a AIDS, área na qual possui considerável experiência.
Para a realização de suas atividades, o Projeto
Praça Onze conta com o apoio da estrutura clínica
do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF),
bem como dos laboratórios de pesquisa do Serviço
de Doenças Infecciosas e Parasitárias do HUCFF,
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O Projeto Praça Onze está localizado no mesmo
prédio que o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA)
do HESFA, com o qual mantem estreita colaboração.
Neste CTA, o primeiro a ser inaugurado no Rio de Janeiro,
são gratuitamente testados por volta de 700 homens
e mulheres por mês, dos quais 10-15% são soropositivos
para o HIV.
A
disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias
(DIP) da UFRJ foi criada no início do século XX
por Carlos Chagas. Durante várias décadas, o grupo
da DIP foi um dos principais do país, realizando pesquisas
no que, então, se denominava medicina tropical.
O Programa de AIDS do HUCFF, conduzido pela equipe do Serviço
de DIP, foi implantado em 1987, tendo como propósitos
o atendimento multidisciplinar aos indivíduos infectados
pelo HIV, o treinamento de profissionais da saúde e o
desenvolvimento de pesquisas. Os dois primeiros foram prontamente
atingidos. O HUCFF em pouco tempo se tornou um dos principais
responsáveis pela assistência a portadores do HIV
no Estado do Rio de Janeiro. Fez-se, também, importante
parceiro do Ministério da Saúde e das Secretarias
Municipal e Estadual da Saúde na promoção
de cursos de treinamento para profissionais oriundos de vários
Estados da Federação e de outros países.
Voluntários
do Projeto Praça Onze
Prof.
Mauro Schechter
Em
1989, o Programa de AIDS do HUCFF optou por investir na criação
de uma infra-estrutura de suporte para a pesquisa clínica.
Em setembro de 1989 foi assinado um convênio de cooperação
técnico-científica entre a UFRJ e a Petrobrás
SA, que permitiu a criação do Laboratório
de Pesquisas em AIDS do HUCFF. No momento de sua criação,
os principais pontos a diferenciar o Laboratório dos
existentes na maioria das instituições públicas
brasileiras eram a inserção em uma estrutura
primordialmente assistencial e a capacidade de realizar todos
os exames então considerados importantes para o acompanhamento
de indivíduos infectados pelo HIV.
O Laboratório de Pesquisas em AIDS do HUCFF foi inaugurado
em 1990, sob a coordenação do Prof. Mauro Schechter,
Professor Titular de Doenças Infecciosas e parasitárias
da Faculdade de Medicina da UFRJ. Atualmente, o laboratório
faz parte das Redes Nacionais de Carga Viral, de Imunofenotipagem
e de Genotipagem para o HIV. O laboratório participa
de vários programas nacionais e internacionais de controle
de qualidade, possuindo certificados da Sociedade Brasileira
de Patologia Clínica, da IATA e do HVTN-
HIV Vaccine Trials Network, NIH (Rede de Pesquisa de Vacinas
anti-HIV dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA).
Em 1995, também sob a coordenação do
Professor Mauro Schechter, o Projeto Praça Onze iniciou
suas atividades. À época, tratava-se de um projeto
preparatório para futuros estudos de vacinas anti-HIV
e que recrutou homens com alto risco de adquirirem a infecção
pelo HIV e que relatavam relações sexuais com
outros homens. Aproximadamente 850 homens foram recrutados
e retornaram ao local de estudo por pelo menos 2 vezes. Foram
observadas 34 soroconversões para o HIV, o que representou
uma soroincidência de 3,1 por 100 indivíduos/ano.
A maioria dos indivíduos recrutados relatou o desejo
de participar em projetos de testes de vacinas preventivas
anti-HIV/AIDS.
Após
o término deste estudo, foi realizado outro que visava
avaliar possíveis mudanças no comportamento sexual
de 200 homens que relatavam relações sexuais com
outros homens e que tinham fácil acesso à profilaxia
anti-retroviral pós-exposição sexual (PEP).
Participantes receberam medicação anti-retroviral
suficiente para 4 dias, e foram instruídos para começar
PEP imediatamente após qualquer exposição
de alto risco e para comparecer em até 96 horas para
avaliação. Se a exposição fosse
considerada de alto risco, o participante receberia medicação
para mais 24 dias. Neste estudo, concluiu-se que o acesso a
PEP não se associou com o aumento de atividades de risco
para a infecção pelo HIV.
Laboratório
| HUCFF
Em
2000 foi inaugurada a Unidade de Testes Terapêuticos do
Projeto Praça Onze. Vários estudos de fase 2 e
3 foram realizados ou se encontram em andamento, a maioria envolvendo
novas drogas para o tratamento da infecção pelo
HIV. Ainda em 2000, foi iniciado um grande estudo para comparar
dois esquemas diferentes para a prevenção de tuberculose
em pessoas com alto risco de desenvolver esta doença.
Em 2001 iniciou-se a participação do Projeto Praça
Onze em estudos de avaliação de vacinas preventivas
anti-HIV/AIDS, com a condução de um estudo em
Fase II, patrocinado pelo HVTN, de avaliação de
segurança e imunogenicidade da vacina “Alvac-HIV
vector vCP 1452”, isolada ou em combinação
com o produto vacinal MN rgp 120.. Em 2004 outros estudos de
avaliação de vacinas anti-HIV/AIDS foram iniciados
ou entraram em fase de preparação.
(1)
Localização no centro do Rio de Janeiro, próximo
à Estação Praça Onze do Metrô,
em área servida por inúmeras linhas de ônibus;
(2) Documentada experiência em recrutar
e acompanhar, com altas taxas de seguimento, participantes
em estudos clínicos e epidemiológicos;
(3) Uma equipe treinada na condução
de testes terapêuticos de acordo com as normas de Boas
Práticas Clínicas (GCP);
(4) Laboratórios e uma infra- estrutura
clínica inteiramente dedicados à pesquisa, incluindo
àreas com nível de biossegurança 2, freezers
–80º, certificações laboratoriais nacionais
e internacionais, e técnicos capacitados para o preparo
e envio de amostras biológicas de acordo com as normas
da IATA;
(5) Acesso a grande número de indivíduos
com infecção pelo HIV, em tratamento ou virgens
de tratamento;
(6) Acesso a grande número de indivíduos
com doenças sexualmente transmissíveis ou sob
risco de adquiri-las;
(7) Uma equipe que inclui médicos
de várias especialidades (clínica médica,
infectologia, proctogia e ginecologia), treinados na coleta
de secreções cervicais e seminais para a detecção
de vírus, incluindo HIV.